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Pronunciamento
do Seminário Bilateral Nacional Católico-Romano/Evangélico-Luterano,
reunido em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, em 7 e 8 de setembro de 2000
Referente à declaração
"Dominus Iesus" da Congregação para a Doutrina da Fé da
Igreja Católica Romana
- A Declaração
"Dominus Iesus", levada a público neste mês de setembro de
2000 pela Congregação para a Doutrina da Fé da Cúria Romana,
surpreendeu a cristandade. Periga fechar portas que haviam sido
abertas por esforço ecumênico na décadas passadas. Provocou de
imediato reações de forte irritação, acarretando a ameaça de
redundar em novas polarizações religiosas e de reacender antigas
rivalidades.
- Ainda faltam estudos
referentes aos motivos da declaração e seus reais propósitos.
Pretende alertar para o risco do relativismo e da diluição da
verdade de fé. Falta, entretanto, o espírito da abertura ecumênica
tão em evidência nos documentos do Concílio Vaticano II, na Encíclica
Papal "Ut umum sint", da "Declaração Conjunta
sobre a Justificação" por "Graça e Fé" e outros.
Referências aos textos do Concílio são isoladas do seu contexto
original. E resultados de aproximação da Igreja, são ignorados.
- A causa ecumênica, ou
seja a busca da unidade dos cristãos, e mandato inalienável da
Igreja de Jesus Cristo. O próprio Papa enfatizou ser este compromisso
irreversível. Também a Igreja Católica confessa estar a caminho e
ser carente de reformas. É o que, entre outras, motivou o Papa João
Paulo II, na referida Encíclica, a propor diálogo sobre a modalidade
do exercício do papado. Como integrantes do Seminário, convocado
pelas duas Igreja para refletir sobre o tema "Ministério",
reafirmamos:
- Existe um vínculo
de união entre todas as pessoas batizadas que invocam o nome de
Jesus Cristo.
- Existe um vínculo
de união entre todas as pessoas criadas à imagem de Deus mesmo
que não se declarem cristãs.
- Existe um vínculo
de união entre todas as pessoas vocacionadas ao serviço do Reino
de Deus, cuja vida perfaz nossa esperança.
Há, pois, um unidade anterior às divisões cristãs e humanas,
muito embora não seja do mesmo matiz e se expresse de modos
distintos.
- Como Igrejas cristãs
nos engajamos por maior fidelidade ao Evangelho. Confessamos como católicos
e luteranos, juntamente com todos os cristãos, a salvação que está
em Jesus Cristo. Lembramos os sinais de unidade, existentes em nossas
comunidades, a exemplo da Semana de Oração para a Unidade dos Cristãos,
a partilha de vida, a cooperação em assuntos sociais, a Campanha da
Fraternidade Ecumênica 2000. Seria trágico, se a caminhada ecumênica
rumo a maior unidade sofresse interrupção ou prejuízo.
- Diversidade de manifestações
eclesiais está na origem da fé cristã. Os inícios da Igreja não
foram uniformes. Embora fluíssem da mesma vertente. Unidade deve
deixar espaço para a diversidade, assim como esta deve assentar-se em
fundamento comum. O mundo plural de hoje necessita de exemplos de
unidade na diversidade e de vivência fraternal do diferente.
- Mesmo diante do impacto
da Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, não há como
renunciar à causa ecumênica. O Concílio Vaticano II, em sintonia
com todo o movimento ecumênico moderno, celebra os avanços obtidos
como um dom do Espírito Santo. Cabe acolhê-lo em gratidão a Deus e
com a disposição de cooperar. Coloca-se a todos e a todas o desafio
de elaborar e realizar projetos que cumpram o mandato da promoção da
paz num mundo dividido.
São Leopoldo, 08 de
setembro de 2000.
Dom Ivo Lorscheiter
Coordenador
Pr. Gottfried
Brakmeier
Coordenador
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